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Fome À
procura de uma sobra vai
o homem avidamente... Olhos
tristes, vestes sujas, em
direção a um saco encostado
em um poste, como se o estivesse esperando...
Adiantando
as passadas, logo
se encontra agachado ao
lado do volume. Com
suas mãos trêmulas, abre-o
com cuidado, em
busca do alimento...
Para
saciar a fome, tira
alguns papéis, frutas
podres, machucadas, restos
de alimentos, aguados. Aos
poucos os vai consumindo, vai
degustando-os, a
fome ele vai saciando...
Dedos
sujos e melados, boca
lambuzada... A
fome (foi embora) vencida!... As
mãos emporcalhadas. Com
a fronte inclinada, olhando
a esmo ao
Pai Divino agradece.
Com
dificuldade, levanta... Sai
em passos lentos, com
destino ignorado, alheio
a todos aqueles que,
de perto ou de longe, observam,
nada fazem. Aquele
corpo frágil, pela
fome debilitado.
Parceiros
do dia-a-dia: Suportando
intempéries, com
limites ínfimo, o
homem e a fome... Que
dirá o amanhã do
consumo aliado a dor? Nascer,
viver, morrer... Carlos Mello |
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