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Franklin Maxado *
franklinmaxado@ig.com.br
(DRT 442)
A
Caretice na “Feira de Jesus”
A
nudez pela nudez é um ato gratuito de exibicionismo. Talvez, o
que Carlinhos Brown tenha feito em público em um Carnaval de
Salvador. A greve de fome, como a de d. Luiz Capio contra a
transposição do Rio São Francisco, ou o suicídio, como o de
Zumbi cercado por forças coloniais, ou um atentado de um árabe
por uma causa que
ache justa, podem também
serem recursos extremos de quem luta contra uma ordem ou uma
coisa opressora que está aniquilando a pessoa ou um povo. A
nudez como protesto pode ser uma denúncia com a Censura, a
hipocrisia, a violência, o preconceito e as injustiças
e outras situações que esmagam
os valores do homem digno e consciente na atual conjuntura política
mundial, brasileira, baiana e até feirense.
Feira
de Santana foi um Município rebelde que enfrentou até a ira
dos Ditadores militares elegendo Chico Pinto, dando exemplo ao
país. Hoje parece um povo desmemoriado, acovardado em busca de
migalhas que iludem seu futuro. Inchou com muita gente de fora,
ávida de oportunidades sem
história na cidade. O povo está sendo transformado em
carneirinhos conformados e tangidos e quase ninguém
discorda ou tem senso crítico. E a Imprensa, com poucas
exceções, está comprometida e só explora crimes e esportes.
Cultura talvez não dê leitores imediatos.
Assim,
o Festival de Música” Vozes da Terra”, corre o risco de
acabar ou ser substituído pelo Festival Gospel, com ajuda dos
evangélicos que então é
comportadinho e cantam só o amor a Deus com ritmos importados
dos Estados Unidos.
Mas,
os feirenses também sabem acender uma
vela para Deus e outra para o Diabo. Como a maioria de seus
comerciantes, estão com o governo mas não descartam lucros
e as vantagens de negócio com o opositor. Ou, vice-versa. A
“Feira de Jesus” não expulsa os vendilhões no templo. Ao
contrário, acolhe-os.
O
cidadão desempregado, sem garantia de vender seus produtos,
censurado no seu pensamento, sujeito à ditadura dos órgãos de
informação, vitimado pelas cambalachos e falcatruas dos políticos
que criam uma estrutura em que os eleitores não são
independentes e têm que pedir favores até nos seus direitos.
Ou participar de maracutaias ou ser conivente com a
corrupção. Testemunhas de crimes
de execução com impunidade Enfim,
não podem exibir seu senso crítico, tendo que se conformar em
ser somente um número
entre os demais.
E
fingir que está tudo bem, conformando-se em consumir alguns
bens que lhe dão a satisfação e a felicidade
dos anúncios
ou propaganda. Ou, assumir sua pobreza e refugiar-se ou
alienar-se numa religião. Principalmente, nas mais novas evangélicas.
Sem dar mais opinião e só pedir a Deus que perdoe todos os
pecados, seus e da humanidade. Aí, sem beber álcool, fumar,
vestir-se com o corpo todo coberto a fim de evitar a libido e só
ler e ver as interpretações das coisas pela Bíblia. E estar
sempre contribuindo
com o dízimo, no mínimo,
CÉUS
SÃO PARA OS MANSOS
Todavia,
como o corpo humano tem outras necessidades e imperfeições. Às
vezes, é tentado e cede, cometendo pecados
que geram a sensação de culpa. Muitos aceitam e outros
caem na hipocrisia, na chamada caretice que os “hippies”
tanto denunciaram na década de l960, até entregando seu corpo
para ser usado pelo machismo da época.
Os
ideais românticos persistem. Muitos teimam em seguir
cultuando-os, embora o mundo atual seja maldade e hipocrisia
como nas novelas de tevê. Quase
todos os governantes usam a religião para subirem e se mostram
publicamente como “caretas”, pregando valores de fachada
enquanto traem e expandem suas vantagens e negócios, à sombra
do poder, usando para isso, pessoas “laranjas” que não são
tão inocentes assim. Deviam ter pudor e vergonha era para isso
e não roubar e mentir na “cara de pau”..
Tenho
receio de uma onda de fanatismo e de preconceitos neste país de
ignorantes e de alfabetizados que não lêem. Sim, porque a
população vem crescendo numa progressão geométrica e a parte
jovem é obrigada a ir para a escola, que faz que ensina e no
tempo vago dá margem para que aprendam a fumar maconha, usar
drogas, praticar sexo com colegas e aprender maldades a fim de
arranjar dinheiro para consumir bens. E os pais ocupados fazem
que nada sabem e não procuram saber onde estão e o que
conseguem. Afinal, o Estado também ajuda exigindo que jovens não
trabalhem quando o ensino não é só sala de aula. Em profissões
como vaqueiro, lavrador, operário, o trabalho comedido também
é um ensino. Estudar não é só aprender informática e outras
profissões mais urbanas. Assim, se despovoam os campos e se
criam marginais letrados e mais perigosos e
especializados com a falta de oportunidades para todos.
Nas
bancas de revistas, o sexo explicito está estampado nas publicações
e DVDs, além da existente na televisão e na Internet,
pervertendo nossos jovens e sendo explorados por adultos. Afinal,
Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Logo, o corpo não
é imoral e os naturalistas têm a cabeça aberta. Os índios
andavam assim. Só os puritanos não toleram isso. E só os
pervertidos exploram economicamente
a nudez.
O
crime aumenta e também a impunidade e fingimos que está tudo
bem. É a hipocrisia. Esta sim, nua e crua. E não só a dos
festivais e carnavais.
MIRANDA
& GONZAGÃO
Dois
“shows” à noite, sendo um na sexta de Antonio Miranda lançando
um CD com suas músicas na Cidade da Cultura. O outro, no CUCA
no sábado organizado pelo pernambucano feirense J. Sobrinho
em homenagem ao aniversário de morte do nosso ídolo
Luiz Gonzaga que tantas vezes se exibiu em cima de marquises de
lojas centrais desta cidade. Luiz é um ícone da música
brasileira e, em especial, da nordestina do sertão. Tem um
desfile de cantores, músicos e
compositores locais como Timbaúba, Cescé, Dionorina, Baio e o
feirense Nenem da Sanfona que vem encantando
todos com o seu toque. Gravou um CD recentemente. Pena
que o “Festival “Vozes da Terra” venha se alienando e
preferindo premiar arranjos e arremedos de “Rock” e de
“Reggae”, desprezando
recriações da música da terra sertaneja mesmo, como os
caminhos mostrados por Luiz
Gonzaga. É a modernidade e a globalização dos bestas
que fazem nossa
juventude fazer imitações como macacos. Só não irei nos dois
se chover pedra.
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Franklin Maxado é advogado, jornalista e escritor
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